No banco frio de cimento austero,
Repousa a vida em manso resplendor;
Ali floresce, em gesto verdadeiro,
A doce chama eterna do amor.
A rigidez da pedra silenciosa
Contrasta com a ternura do acolher;
Na zona sul, tão humana e formosa,
Há mãos que sabem dividir viver.
O cimento rude, imóvel, indiferente,
Recebe o peso amargo da aflição;
Mas sobre ele descansa docemente
A mais sincera forma de afeição.
Ali repousa a rainha da bondade,
De alma pura e coração singelo;
Mulher que faz da simples caridade
Um campo aberto de infinito zelo.
Seu gesto espalha luz e acolhimento,
Suavizando a dor e a solidão;
Transforma o banco frio de cimento
Num trono santo de fraternização.
E assim o mundo segue endurecido,
Coberto pelo pó da indiferença;
Mas vence o amor, sereno e colorido,
Quando a ternura fala mais que a crença.