A Teoria da Putrefação Política descreve a existência de uma doença incurável no sistema de poder. De um lado, há um verdadeiro bando de abutres que, vorazes e famintos, devoram um corpo em avançado estado de decomposição — um processo irreversível de necrófagos em busca do poder. Todos disputam suas fatias com avidez, sustentando-se das benesses e regalias proporcionadas por esse manancial de facilidades, mas ninguém deseja abrir mão dos privilégios adquiridos.
De outro lado, surgem os carniceiros do poder, igualmente ávidos e invejosos, que lutam entre si pela carniça que ainda resta. Esse embate acirra o conflito social, promovendo o choque entre grupos rivais, cada qual defendendo sua parcela no processo de desintegração do sistema político.
Quando alguém se dispõe a enfrentar essa situação e erradicar o problema — não como um salvador da pátria, mas em nome de uma necessária assepsia social —, logo surge um verdadeiro exército de asseclas da chamada ’Ndrangheta digital. Esses agentes anônimos da ignorância, armados com a estupidez e a agressividade, atacam ferozmente, vociferando em coro: “Pega esse idiota e enterra!”
A Teoria da Putrefação Política revela, portanto, uma doutrina contemporânea que nasce da clara manifestação do atual modelo de erosão do erário público. Esse modelo favorece a dilapidação do patrimônio nacional, ora de forma explícita, ora disfarçada, por meio de intermediários em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro.
Nesse cenário, grupos antagônicos travam uma guerra silenciosa e suja. Apresentam-se sob a falsa imagem de libertadores, prometendo livrar a sociedade da opressão e das manipulações maliciosas, quando, em verdade, seu real objetivo é perpetuar-se no poder e viver às custas da população.