Prof. Jeferson Botelho
Caráter, ética e valores morais são inegociáveis
Textos

Quando o Silêncio Uiva

 

Noite fria, assaz silenciosa,

A calmaria em véu se estende;

Parece o tempo em pedra pousa,

E a paz — imóvel — se defende.

 

Mas súbito a ordem se desfaz,

O chão da noite se rompe em dor;

Já não há calma, já não há paz:

Há grito, fome, há clamor.

 

Que dor é essa que rasga o ar?

É fome crua? É mão cruel?

Maus-tratos? Abandono a sangrar?

Ou a ausência do gesto fiel?

 

Do apartamento ao lado, então,

Ecoam latidos insistentes;

O cão, sentinela da aflição,

Clama por almas conscientes.

 

A madrugada, antes inteira,

Agora sangra em som e pena;

Cada latido é uma fogueira

Que incendeia a noite serena.

 

Transparente é a desumanidade,

Patológica, fria, banal;

Quando se perde a dignidade,

O mal se instala — normal.

 

E no abismo mudo da escuridão,

Onde a consciência vacila em temor,

Ergue-se uma prece — não em vão

Por paz, por vida, por amor.

 

Prof Jeferson Botelho
Enviado por Prof Jeferson Botelho em 10/02/2026
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