Brota no Vale do Mucuri
o menino-poeta a emergir:
plenitude em tempos sombrios,
céus riscados por desafios.
Entre a beligerância e a boçalidade,
uma estrela jovem cintila;
no bucólico Bela Vista,
Sapucaia e Surumaia vigiam.
Sentimentos bons afloram,
raízes de saudade e amor;
estilista raro das palavras,
tinge o vernáculo de cor.
Hipérboles de paixão intensa,
trilhas firmes de perseverança,
valores éticos que não morrem,
compromisso que nunca se cansa.
Imerso em ondas humanistas,
petrarquiano em fino lirismo,
juridicidade feita poesia,
entre o amor e o romantismo.
Das exórdias ao dispositivo,
há silêncio em musicalidade;
o poeta, em vigílias noturnas,
celebra a própria verdade.
Filadélfia de estimação,
terra do amor fraterno;
Fonte Luminosa cintila,
Praça Tiradentes — tempo eterno.
Alto do Iracema exalta
néctar de ternura e paz;
pedras preciosas reluzem
nas belezas que o tempo traz.
Lagoa do Marajoara,
festival de luzes errantes;
serenidade preguiçosa
embala sonhos de amantes.
Jardim das Acácias floresce
em gemas de rara cor:
ametista, berilo, diamante,
turmalina, safira e fulgor.
O poeta verte admiração,
sangue tenro do coração;
Mucuri, terra nobre e amada,
fonte lírica encantada.
Verdes campos, brisas suaves,
estradas feitas de saudade,
horizonte azul de quimeras —
Mucuri, eterno em minha verdade.