No despertar da aurora em véu de luz,
Chuva sutil borda o dia nascente;
A vida canta, o horizonte seduz,
E o tempo acorda, manso e reluzente.
Iracema viva aos olhos do trovador,
Perfeita forma no verbo do olhar;
É o Mucuri pulsando em fulgor,
Menestrel que aprende com o amar.
A tarde vem, serena e sem alarde,
E em Bela Vista começa a morrer;
O sol se curva, cansado da tarde,
Num adeus lento que ensina a viver.
Ecoa a paz no colo materno,
Onde o amor repousa sem fim;
Tudo se alinha num verso eterno,
Harmonia pura, princípio e jardim.
Logo a noite desce, sagrada e fiel,
Trazendo esperanças em tom maior;
Nasce outro sonho sob o mesmo céu,
Promessa antiga de um mundo melhor.
Assim se esvai mais um dia encantado,
Tecidos de afeto, verdade e luz;
A vida se escreve, dom revelado,
No encanto simples que a alma conduz.