Prof. Jeferson Botelho
Caráter, ética e valores morais são inegociáveis
Textos

Poema — Menestrel do Vale do Mucuri

 

No silêncio da madrugada,

de um sábado adormecido,

ouve-se um canto contido,

do pássaro em madrugada.

Do cárcere, a voz alada

rasga a noite em devaneios,

e desperta dos anseios

sonhos em busca de chão,

guiados pela direção

que acalenta os devaneios.

 

O velho Bela Vista então

ergue-se templo de glórias,

um relicário de histórias

gravado no coração.

Memória vira oração

em seu altar de lembranças,

entre dores e esperanças,

escassez cruel e dura…

Mas o amor, doce estrutura,

nutria todas as crianças.

 

Era um mundo implacável,

um universo impiedoso;

pão curto, tempo ansioso

e destino inadiável.

Mas o afeto inabalável

de uma mãe forte e valente,

com o gesto onipotente

transformava em paraíso

cada alimento preciso

sobre a mesa da gente.

 

Hoje o canto da lembrança

retoma o antigo caminho;

o menino feito sozinho

reencontra sua infância.

Na alma, a perseverança

e a chama do bem maior.

Ele lembra, sem temor,

que o sofrimento era escola

e a vida ainda o acolhe

como menestrel sonhador.

 

Assim, o tempo declina

mas a saudade não some;

há raízes que, mesmo à fome,

ainda guardam sua sina.

Em aura quase divina,

a memória principia:

ancestral sabedoria

retorna em versos ao chão,

onde pulsa o coração…

do Vale do Mucuri — poesia.

Prof Jeferson Botelho
Enviado por Prof Jeferson Botelho em 22/11/2025
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