É sábado à tarde… o tempo em meditação,
a música ecoa, suave revelação.
São letras que clamam a dor da humanidade,
retratam com pranto a cruel desigualdade.
Dois mundos distintos erguem-se em contradição:
um veste de ouro, outro é pó e compaixão.
De um lado, a luxúria, o brilho dos arranha-céus,
de outro, humildade, preces e sonhos fiéis.
Nos becos do morro há pureza e alvorada,
sorrisos que florescem da alma cansada.
Há fé, há ternura, há pão dividido,
há Deus no olhar do pobre esquecido.
Mas lá no asfalto, sob máscaras e véus,
reinam a hipocrisia e os falsos troféus.
Luxúria, vaidade, poder e opressão,
e o frio domínio da falsa razão.
Oh vida, mistério entre o céu e o chão!
Uns buscam o ouro, outros buscam perdão.
A grande verdade, porém, é singela:
a luz da bondade é mais forte que a estrela.
Concluo que a vida é simples oração,
um hino de amor, um gesto, um perdão.
Maior que o império, que o brilho e o tesouro,
é ter coração — o bem mais que o ouro.