Viva com toda a força e intensidade,
os dias de sol e os de solidão.
Há beleza até na tempestade,
há lição nas quedas do coração.
Hoje contemplo o azul do horizonte,
sinto o vento — ora brando, ora veloz —,
vejo a luz que desperta o firmamento
e ouço o tempo falar sem voz.
As nuvens passam, suaves, errantes,
como lembranças que o tempo conduz;
ouço canções de tempos distantes,
de quem partiu, mas deixou sua luz.
Talvez, um dia, em caminhos da vida,
tu me encontres nas ruas, nos jardins,
ou me sintas na alma sentida
dos versos que escrevi por fins.
E se o tempo tardar na chegada,
e o esquecimento ousar insistir,
lerás nos meus livros a jornada
de quem viveu, amou e quis sorrir.
Por isso, agora, não te demores,
nem te percas nas vaidades vãs;
faz da ternura o dom das flores,
e ama mais — com alma e com mãos.
Vive o presente em calma e grandeza,
com leveza de quem tudo alcança;
pois o segredo da vida é a pureza
de ser humano — e manter a esperança.