Todos conhecem a velha e sombria história.
No primeiro dia, dilapidam nossas casas, reduzem nossas moradas a casebres improvisados,
e nós, resignados, calamos diante do ultraje.
No segundo dia, arrancam de nós nossos servidores, a seiva vital da nossa existência institucional, e novamente silenciamos, cúmplices involuntários do opróbrio.
No terceiro dia, erguem-se nos holofotes, alardeando glórias no combate à FTO, mas esquecem — ou deliberadamente negam —
o nosso papel de protagonistas do sistema.
E, mais uma vez, não falamos nada.
Até que, um dia, explorando nossas fragilidades,
devastando nossas passividades,
eles ousam violar nossas próprias atribuições, arrancam-nos a dignidade, e nos sepultam vivos em ataúdes improvisados,
sob as frias lápides do Cemitério do Bonfim.
E então, quando o silêncio já é eterno, quando as vozes já não ecoam, quando a resistência foi tarde demais, não podemos mais dizer nada.
Mas ainda há os que respiram,
os que não aceitarão a escravidão do silêncio.
É hora de romper as correntes da passividade, de insurgir contra os algozes da nossa história, de resgatar o protagonismo que nos foi roubado.
Não mais o silêncio que mata.
Não mais o silêncio que enterra.
Ergamo-nos como muralha indestrutível, pois a destruição só triunfa quando a coragem adormece.
Que o nosso brado seja mais forte que o esquecimento,
que a nossa luta seja mais ardente que a morte, e que os que ousaram apagar nossa existência
encontrem no nosso despertar
o fogo que incendeia a História.