Nasci como fruto da obra divina,
sacrifício sagrado de uma mulher —
guerreira, heroína,
mãe e mestra no ofício do amor.
Foi no silêncio do teu exemplo
que forjaste meu caráter,
como quem molda a alma
com mãos feitas de luz e renúncia.
Confesso:
não fui o filho que te amou com inteira dedicação.
Sei que, muitas vezes,
não te retribuí com o tempo e o afeto que me deste em abundância.
Dediquei-me às causas do mundo,
e por isso, suplico-te o perdão.
Perdão pelo zelo exagerado com tantas missões,
e pela ausência nos momentos mais simples
que compõem o verdadeiro amor.
Também não fui o esposo ideal.
Beth, recebi de ti um amor tão pleno,
e nem sempre fui digno dele.
Perdoa-me pelas omissões,
pelos silêncios que ferem,
pelos gestos que faltaram
e pelos que sobraram em aspereza.
O meu amor por ti vive na memória,
ainda que tantas vezes
eu tenha falhado em demonstrá-lo.
Fui, por vezes, indelicado,
cego para o valor do bem
que sempre me cercou.
A ti, mãe.
A ti, esposa.
Recebam meu pedido de perdão —
não como quem tenta apagar o passado,
mas como quem deseja
santificá-lo com a verdade.